A identidade do Brasil em Perfumaria e Cuidados Pessoais – parte 1

A identidade do Brasil em Perfumaria e Cuidados Pessoais – parte 1

O Brasil é um país de dimensões continentais, com uma população de 209 milhões de pessoas e um mercado de cosméticos que, em 2017, registrou vendas em valor de varejo de US $ 32,1 bilhões, de acordo com dados do Euromonitor. O país é, portanto, o quarto mercado em consumo no mundo, atrás dos Estados Unidos, China e do Japão.

O mercado brasileiro de fragrâncias é um mercado poderoso. Em 2017 vendeu USD 6,2 milhões, mas já foi o primeiro no ranking mundial em 2014 e 2015. O setor importa apenas 7%. Poderia importar mais, mesmo em um cenário econômico mais restritivo, na medida em que os brasileiros são grandes consumidores de cosméticos e fragrâncias. Mas o ônus dos impostos transforma um produto razoavelmente barato em um produto de luxo, fazendo com que os consumidores busquem marcas locais de boa qualidade ou que empresas estrangeiras instalem no país, como Avène, de Pierre Farbre, e sua marca local Darrow.

No entanto, o varejo de beleza no Brasil frequentemente faz uso das vendas à crédito. Assim, um perfume de US $ 100 pode ser comprado por mulheres de qualquer classe social – em até cinco pagamentos no cartão de crédito, em qualquer loja de cosméticos ou loja de departamentos. E é muito comum ver pessoas comprando mais de dois perfumes em perfumarias, dividindo o pagamento.

  • Na cesta CFT (Maquiagem, Perfumaria, Cremes Corporais, Cremes Faciais, Desodorantes, Sabonete, Shampoo e Pós-Xampu) são em média 5 categorias e 33 unidades de produtos no ano compradas para a usuária.
  • Na categoria de desodorantes, destaca-se a compra de Sprays Corporais e na categoria Cuidados Corporais, há um consumo médio maior de óleos corporais.

Personalização como parte do negócio
Algumas empresas estrangeiras estão fabricando localmente – Avon, Unilever, Procter & Gamble e L’Occitane, são alguns exemplos. Além das razões econômicas há a questão da personalização dos produtos diante do clima e fatores étnicos.

A população do Brasil é originada da mistura de raças, a princípio pelos índios, africanos, portugueses e holandeses (este último na região Nordeste). Mais tarde, no século XX, essa mistura foi intensificada com a migração de italianos, espanhóis, japoneses e alemães (nas regiões Sudeste e Sul do país), gerando uma intensa miscigenação de raças e um biótipo muito diversificado no país.  Outro fator crucial para a fabricação de produtos cosméticos no Brasil é o clima quente e úmido em quase todo o seu território. Assim, os produtos climatizados são um fator importante para que uma empresa estrangeira seja bem-sucedida no país.

Levando em consideração essa peculiaridade, a L´Oreal testa seus produtos capilares no Brasil e um dos objetivos do novo Centro de Pesquisa e Inovação da L’Oreal no Rio de Janeiro, é climatizar produtos, já que grande parte das mulheres brasileiras, além de fatores étnicos têm pele mista ou oleosa por causa do clima quente e úmido. Esses fatores também interferem nas preferências dos brasileiros em relação às texturas e fragrâncias para produtos de higiene pessoal, bem como para perfumes, o que leva o Brasil a uma identidade própria em Cuidados Pessoais e Perfumaria.

O clima como um fator de identidade
As brasileiras têm muito cabelo. A maioria delas tem cabelos ondulados ou encaracolados, mas mesmo aquelas que têm cabelos lisos sofrem com a umidade do clima, que deixa o cabelo arrepiado. Não é por acaso, que os produtos “leave-in” foram desenvolvidos primeiramente no Brasil.

Um exemplo que confirma a pluralidade desse mercado, é que, apesar do cabelo étnico, tornar-se uma forte tendência, ao assumir orgulhosamente a identidade a mulher afrodescendente, os produtos e procedimentos de alisamento mecânicos também são amplamente utilizados.

Combinado aos procedimentos de alisamento, uma em cada quatro mulheres no país tinge os cabelos. A  Abihpec  – Associação Brasileira da Indústria  de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos – percebeu um aumento nos produtos de cabelo com foco em tratamento. Produtos capilares para cabelos danificados são lançados a cada nova linha de produto das empresas. “Essa tendência ressalta a importância dos produtos de higiene pessoal para a saúde, bem-estar e autoestima da população”, afirma João Carlos Basílio, presidente da Associação Brasileira do Setor.

Inovações
Pesquisa com consumidores mostra que, a cada dois anos, cerca de 30% das receitas do setor são provenientes de lançamentos, apontando o dinamismo e o esforço de inovação que caracteriza a indústria cosmética no Brasil, o que nos leva ao desenvolvimento do marketing, já que o setor é um dos maiores anunciantes, à frente da indústria automobilística, perdendo apenas para o varejo.

Consumo em Cuidados Pessoais 2017

O mercado de cabelos é bastante forte em valor, com US $ 20,6 milhões. Desodorantes também, com US $ 9,7 milhões. A Oral Care vendeu US $ 9 milhões em 2017; Banho e Banho USD 8,1 milhões e bebê e criança USD 4,97 milhões, considerando os preços atuais e as taxas de câmbio, de acordo com a Euromonitor.

Varejo Multicanal

Destaca-se que 26,5% das vendas em Personal Care em 2017 vieram do canal de Venda Direta, no qual a Natura e a Avon são suas maiores representantes. Mas o mercado tem visto nos últimos anos, empresas e marcas grandes, como Natura (Natura & Co) e O Boticário (Grupo Boticário), médias ou pequenas, diversificando seus canais de varejo, operando multicanais (venda direta, franquia e e-commerce).

Fatores de Formação da Identidade Brasileira em Perfumaria

  • O fato de o Brasil ter um clima quente e úmido, gerou uma herança cultural que vem dos índios brasileiros e que permanece entre sua população em geral até os nossos dias: o hábito de tomar banho duas ao dia, ou mais.
  • O país não tem muitas flores, mas tem inúmeras plantas, é muito verde.  Assim, o cheiro do mato ou da floresta estão na nossa cultura olfativa. O frescor das plantas está no DNA olfativo dos brasileiros.

Indústria inicia com sabonetes e deo colônias

  • A Lavanda na região Nordeste deu origem à fragrância Seiva de Alfazema – um sucesso até hoje, e por conta dessa apreciação, seu perfume está na composição de várias fragrâncias brasileiras modernas
  • As primeiras fragrâncias foram originadas a partir dos aromas dos sabonetes.
  • A Unilever (85 anos no Brasil) trouxe o sabonete Gessy nos anos 30, que foi um sucesso até os anos 60.
  • A Rastro criou o primeiro perfume brasileiro de qualidade na década de 60 e continua admirada e desejada pelos consumidores.
  • O primeiro sabonete brasileiro – Phebo foi criado em 1930 em Belém do Pará, na região amazônica. É de lá que vêm as Águas de Cheiro – uma crença local para trazer sorte, amor ou dinheiro. A Natura foi a primeira empresa a entender sua importância cultural e investiu na formação de uma identidade brasileira em perfumaria, criando a linha Ekos, utilizando aromas de diferentes biomas brasileiros, especialmente da Amazônia.

Ativos brasileiros usados no mercado internacional de fragrâncias

  • O Brasil exporta para o mercado internacional a fava tonka do qual é extraído o “cumarino”, que exala um perfume quente, rico em facetas: amêndoa, deliciosamente balsâmico, também espalha aromas doces de feno e tabaco claro. Suas nuances de noz estão em Tonka Imperiale por Guerlain. Sob um aspecto doce e picante, temos o exemplo de Tonka Reminiscence.
  • O absoluto do café com seus toques de chocolate amargo e tabaco (com um toque intrigante, gustativo, sem ser gourmand, aparece no praline, mergulhado em alcaçuz (especiarias e patchouli em A-Men de Thierry Mugler, ou misturado com flor de laranjeira) heliotrópio e musk em George, dos Jardins d’Ecrivains.

Fim – 1a parte/2 do relatório produzido pela Cosmeticosbr

*Dados: Euromonitor, consideram cambio constante e Kantar Woldpanel

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